|
Estamos longe de imaginar
a capacidade que a mentalização positiva pode ter como impulsionadora da
vitória nas competições esportivas.
O cérebro cria imagens,
constrói sensações e organiza vozes internas impulsionadoras que
funcionam como potente combustível para atletas de toda e qualquer
modalidade.
Logicamente há também o
efeito contrário quando esses elementos internos, ao invés de se
mostrarem como motivadores, se apresentam de uma forma negativa, sabotando
uma boa performance com perspectivas derrotistas, ou posturas
excessivamente autocríticas.
O ser humano tem dentro
da mente um verdadeiro universo de partes, ou subpersonalidades, que às
vezes funcionam como pequeninos seres que assumem comportamentos os mais
diversos, em alguns momentos úteis e em outros, limitantes.
A Programação
Neurolinguística é uma nova forma de abordar o desenvolvimento mental, e
tem permitido a superação de diversas dificuldades no âmbito da preparação
da mente dos atletas, mostrando que a vitória não está somente
relacionada com uma boa constituição física ou uma eficiente técnica,
mas também é resultado de um bom controle da mente e das emoções.
Equilibrar as emoções,
tornando-as aliadas e não inimigas, é um grande desafio para os
jogadores de futebol por exemplo. Principalmente se estiverem em meio a
uma partida em que o escore mostra vantagem para o time adversário.
Nesse instante é
imprescindível focalizar a atenção no êxito que pode vir e não na
momentânea desvantagem. Os grandes nomes do esporte normalmente se
notabilizaram por possuírem um programa mental de "Busca do
positivo" ao invés de "Fuga do Negativo".
É conhecido o caso do
maratonista que perdeu a competição por ficar excessivamente preocupado
com o outro competidor que estava logo atrás de si. De tanto correr
olhando para trás acabou deixando de se concentrar no seu objetivo que
estava à frente, e acabou não vencendo a prova.
Para uma boa geração de
estado interior impulsionador vale a pena preparar a mente antes da
competição, abastecendo-a com uma experimentação antecipada do que se
quer.
Citamos, portanto, o caso
do campeão americano de natação Bob Hopper, que nos anos 60 se
consagrou colecionando inúmeras vitórias em várias modalidades. Eis o
que ele falou em uma entrevista:
"Primeiro:
desenvolvi bem todos os estilos. Segundo: treino com afinco, sempre
cumprindo as distâncias programadas para cada dia. Terceiro: me cuido
muito bem e me alimento corretamente. Mas, em geral, meus concorrentes
principais também fazem isso.
Portanto a diferença
fundamental entre ‘ser bom’ e ‘ganhar’ é a minha preparação
mental antes de cada competição.
Nos dias que precedem a
prova, eu passo um filme na minha cabeça e me vejo entrando no estádio.
Três mil pessoas me aplaudem nas arquibancadas e os refletores iluminam a
água. Eu me vejo indo até a baliza e posicionado, com meus concorrentes
lado a lado.
Ouço a pistola disparar
e posso me ver mergulhando na piscina e dando a primeira braçada de
borboleta. Tenho a sensação de avançar, dou outra braçada e mais
outra.
Chegando à borda, viro,
volto nadando de costas e me vejo já em pequena vantagem. Vou ganhando
distância com a puxada embaixo d’água. Depois, passo para o nado de
peito. Esse é o meu melhor estilo e nele é que a vantagem aumenta.
Finalmente, faço a chegada no crawl. E me vejo ganhando!
Passo esse filme na cabeça
umas trinta a quarenta vezes antes de cada competição.
Quando chega a hora de
nadar, eu vou e ganho."
Temos nesse exemplo de
sucesso uma demonstração prática da construção mental de um objetivo
previamente, onde todos os canais sensoriais foram atendidos. Visão, audição
e sensações táteis e de movimento se misturaram adequadamente na
estrutura de antecipação da vitória que Bob Hopper construiu em seu cérebro.
Tudo fica mais fácil
quando se sabe sonhar e pôr em ação essa assombrosa força que temos e
que está escondida entre nossas orelhas.
É por isso que podemos
dizer com segurança que o homem é o ser escolhido pela Natureza para
antecipar com amente o Sucesso que o futuro irá trazer.
(Kau Mascarenhas) |