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Na Índia ocorreram alguns casos de
"meninos-lobo", crianças criadas pelos animais e que foram
descobertas nas florestas.
Alguns pais abandonavam os filhos na
mata, às vezes bebês ainda, por não poder criá-los e alimentá-los.
Incrivelmente, em alguns casos, ao invés de devorarem as crianças, os
lobos passavam a cuidar delas como se fossem seus filhos.
Em 1920, Amala e Kamala foram encontradas
em meio a uma família de lobos. A primeira tinha provavelmente um ano e
meio, e morreu um ano após ser recolhida. Kamala, de oito anos, viveu
mais oito na instituição que a acolheu.
Essas crianças nada tinham de
comportamento humano. Caminhavam de quatro como lobos; durante o dia
buscavam lugares escuros onde ficavam prostradas, e à noite se tornavam
agitadas e ruidosas; uivavam como lobos e comiam carne crua.
Kamala precisou de seis anos para
aprender a andar e antes da sua morte registrou-se apenas o aprendizado de
um vocabulário limitado a cinquenta palavras.
O desenvolvimento da afetividade foi
acontecendo muito lentamente. Chorou pela primeira vez quando Amala
morreu, e se mostrou apegada a algumas pessoas que cuidaram dela.
Quando pensamos a respeito desse fato, é
possível perceber que havia nessas crianças uma grande diferença entre
constituição física e linguística do cérebro.
Biologicamente, Amala e Kamala tinham cérebros
humanos. No entanto, linguisticamente, suas mentes eram de lobo.
Assim foram programadas pela vida.
Podemos comparar o cérebro humano a um
maravilhoso computador. Uma máquina fantástica, com impressionante
capacidade de processamento de dados e memória, e que nunca será
igualada por qualquer artefato construído pelo homem.
Porém, esse maravilhoso
"equipamento" precisa de uma programação para poder nos ajudar
a chegar onde queremos.
Nossas crianças precisam encontrar na
família um reforço constante de uma programação positiva, que as
alimente de dados impulsionadores do sucesso.
O papel educador da escola não exclui a
missão educadora da família.
E juntas, escola e família, podem se
tornar aliadas no lindo processo de despertar nas crianças os seus
recursos latentes, o poder que possuem e que ainda está adormecido.
Assim, a sua humanidade vibra e se mostra
produtiva.
"Meninos-lobo" continuarão
existindo em nossa sociedade, ainda agora em tempos modernos, pois serão
programados para isso.
A idéia de seres humanos aprisionados em
corpos animais povoa o imaginário coletivo e gerou inumeros contos
infantis. Príncipes em sapos, princesas em cisnes... Encantamentos de
bruxos que queriam castigar.
Agora é o momento de pensar em nosso
poder de transformar positivamente.
Cabe a todos nós, educadores e pais, a
maravilhosa tarefa de influenciar nossas crianças de forma decisiva, para
uma escolha de vida mais humana e plena de significado.
Cabe a nós todos ajudá-las numa
programação para o sucesso e para a felicidade.
(Kau Mascarenhas) |