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(Criei uma metafora
transformadora, curtinha, para uma mulher que se sentia trabalhando
demais, com um comportamento muito perfeccionista também, e que às vezes
até deixava de pensar no lazer e no repouso. Apesar de adorar o seu
trabalho, estava se sentindo desgastada ultimamente.)
Era uma vez uma rainha que gostava muito
de fazer tapetes. Ela adorava tecer e fazia muitos tapetes, de diversas
cores e formatos. O rei até ficava preocupado, pois achava que a rainha
se desgastava muito fazendo aquilo. Mas não a impedia, já que aquela
atividade tanto a alegrava.
Enquanto trabalhava, ela nem sentia
qualquer cansaço. Mas, depois,
percebia que tinha exagerado.
Um dia, a rainha teceu tanto, tanto, ...
passaram-se horas e horas, ... e o dia virou noite, e a noite virou dia, e
ela tecia e tecia sem parar até perceber que as suas mãos haviam se
recusado a continuar trabalhando. Estavam paradas, sem qualquer movimento.
A rainha olhou para as mãos e disse:
"Vocês são minhas! Precisam me obedecer!" No entanto, as suas
mãos continuavam paradas. Ela começou a se preocupar e a ficar um pouco
triste. E foi aí então que ela respirou fundo e pediu que sua fada
madrinha viesse, de onde estivesse, para ajudá-la.
E não esperou muito tempo, pois logo,
logo, a fada foi entrando pela janela, sob a forma de uma bela pombinha
branca. Assim que pousou em uma de suas mãos, disse: "Eu também,
quando sou pomba, vivo no chão recolhendo o milho que me alimenta, e isso
me agrada muitíssimo. Mas, para voar e ficar perto do céu, preciso
relaxar meu biquinho.
Quando atuo com o bico, descanso as asas.
Quando bato minhas asas, relaxo o bico. E
isso me faz ser feliz, descansando e fazendo o que preciso,
simultaneamente."
E foi aí então, que a rainha entendeu
que suas mãos também são pombas, e em alguns momentos precisam voar.
(Kau Mascarenhas) |